Terceiro setor é sustentado por mulheres, mas mantém desigualdades

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O terceiro setor brasileiro emprega cerca de 2,3 milhões de pessoas e reúne aproximadamente 879 mil organizações ativas no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de as mulheres representarem cerca de 65% da força de trabalho do setor — conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego — elas seguem sub-representadas em cargos de liderança e recebem, em média, salários inferiores aos dos homens.

A contradição de um campo que se apresenta como promotor de justiça social, mas reproduz desigualdades internamente, é o ponto de partida da pesquisa “Senso Mulheres do Terceiro Setor”, conduzida pelo Instituto Incube, pela Gênero e Número e pelo Instituto Lamparina. O levantamento está em fase de coleta de dados em todo o país, por meio de questionário online disponível em https://bit.ly/SensoMulheres.

O uso do termo “Senso”, com S, não é casual. A pesquisa parte da ideia de que compreender o terceiro setor exige ir além dos indicadores formais e considerar as vivências, os afetos e os atravessamentos da vida cotidiana das mulheres que nele atuam. Por isso, o estudo busca entender quem são essas mulheres para além do trabalho formal, investigando como articulam militância, cuidado, vida pessoal e atuação institucional.

O levantamento também pretende aprofundar o debate sobre desigualdades de gênero, raça, classe e geração dentro do setor. Pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que mulheres negras estão concentradas em funções operacionais, com menores salários e menos acesso a cargos de decisão, embora sejam centrais na atuação de base das organizações.

Nesta etapa, mulheres que atuam em organizações da sociedade civil, associações, fundações e movimentos sociais são convidadas a participar. As respostas são confidenciais e serão utilizadas exclusivamente para fins de pesquisa.

Os resultados serão divulgados no segundo semestre de 2026, em relatório público que deve auxiliar o debate sobre poder, trabalho e desigualdade do terceiro setor brasileiro.





Fonte: ICL Notícias

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